Poesias Da Bia
Amor

 amor que se perdeu

em uma bela dança na chuva

parecia tão perfeito

parecia que o tempo havia parado

os beijos que sessam

As coisas mais belas foram apagadas

a porta se fechou para o que foi verdadeiro

nada se pode fazer quando o muro desmorona

mas quem sabe possa desviar dele

deixando seus pertences cairem

Amor que foi tão pouco

nem a mais belas palavras 

nem os gestos e as caricias bastaram

e agora um lado da cama está vazia

lágrimas escorrem  junto a solidão

Nada pode ser verdadeiro

mas pode-se acreditar se viver

um olhar já basta para sentir

apesar de muitos fecharem os olhos

o amor é tão forte quanto ódio

tão molhado quanto um beijo

tão quente como as caricias

 e tão mentira quanto verdade

amor é o que muitos chamam de crueldade…

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Quadro

O que lhe agrada você odeia

mergulhando afogando sua cabeça

você se move e não para a direita

você coleciona o que odeia

marca tudo aquilo que não anseia


no mar só tem areia a água secou

e por mais que você queira o sorriso se apagou

tudo que você odiava virou um ódio mortal Ansião

o teto está ficando torto como seu coração


aguá salgada toda ela adocicou

o ódio que tanto odiava se acabou

adolescência inquieta e vazia

sem choros e reclamações

você nem mesmo quer se desculpar

como você levou tantos empurrões


sua cara ainda está marcada com sangue no chão

quando não se vive mais nada e apenas para o vazio

no caminho que andava todo o ódio se converteu

na desgraça vive no amor de um sonho que se vendeu


o quadro fica marcado com a tristeza em um choro violento

o sossego de um tempo marcado e paralisado em um quadro.

Queria poder ficar calada

queria não ser pisoteada

queria não enxergar

preferia me apagar

muito melhor não ver

Queria sorrir 

queria mentir

para esconder

os fogos que por ai vão vir

Queria abafar

berros de agonia

as lágrimas de tristeza

e o cheiro de morte

mas sou sem sorte.

 Sonhos que foram se despedaçam na calçada

 em uma estrada onde se esquece até das pequenas coisas

 as marcas que foram gravadas agora apagam com o vento

 dentro de mim sei que falta algo mas não consigo lembrar

 nada posso querer se não sei o que isso significa

 posso não sentir mas afinal não sei o que é sentir

 posso até amar mas o que é amor?

 nada pode me alegrar pois nada sei

 esqueço de mim mesmo

 não existo mais.

 Olha a dor que vem distante

não há explicação para ela

mas se pode entender a situação

sangue que escorre de corações caídos

o paraiso não se esconde em buracos ou fechaduras

morreu junto com as promessas de seu criador

eu me afogo nas minhas lágrimas

vou nadando em meu proprio rio

e as amarguras fazem o doce ficar ruim

não se pode esperar nada.

Pilulas de paranoia um sonho interminável

material usado é uma pele descolada e um molde sujo

ferida aberta está  sangrando na prisão de órgãos

morte em seringa deixando a imagem embaralhada

existência imaginativa de uma tempestade ai em cima

janelas abertas e a chuva de vírus cai sem aviso

uma respiração toxica está sugando meus pedaços

minhas memorias viram pedaços de vidro contaminados.

Cadáver de plastico

Nada passa de mentiras

nada passa de agonias

Obrigando-me a dizer suas falas

como um brinquedo com histórias gravadas.

Mas eu arranco minha fantasia

limpo minha maquiagem e tiro minhas pilhas

eu não estou a venda me tire desta vitrine

obrigo-me  a mostrar o meu lado que deprime.

Meus olhos de vidro demonstram um vazio

minha caixa de fala está toda quebrada

meu cabelo é artificial como meu sorriso

não quero ser o cadáver de plástico de alguém.

Verme

Sinto vidro cortado minha face

Vermes comendo minha carne

Coração parado,desgastado

um copo de conhaque e um cigarro

morte ou sonho, algo que me aguarde

não me importo com a sujeira em meus pés

sou a própria sujeira estou virando pó

estou pouco a pouco caindo ao chão

olhe em sua volta há tanta gente morrendo

e uma nova vida está prestes a nascer

mas ninguem se importa com o tempo

mas quando não se sabe quem voce é

e quando o que voce é está preste a sumir

junto aos resto de suas memorias e sonhos

me juntarei aos vermes serei seu alimento

serei o rei dos vermes e comerei sua carne…

Dor

Cicatrizes mascaram as dores

mas as feridas continuam abertas

e a cada nova faz com que aumente

insuportável,acho que seria melhor

arrancar meus olhos para não ver

pois quando fecho meus olhos

as lágrimas escorrem em meu rosto

assim posso esconder minha fraqueza

No espelho posso ver o que sou

então eu prefiro quebra-lo

transformando o que sou em pedaços

pedaços tão distantes da realidade

quando a dor invade seu refugio

despedaçando sua maldita esperança

você prefere fugir deixando a dor para trás

Não se pode esquecer aquilo que se respira

não se pode matar aquilo que vive dentro de você

Ilusões que viventes de uma realidade monstruosa

sangue escorre dentro dos esgotos de uma cidade em pedaços

alma que caminha rumo a morte de um coração que morre aos poucos

curativos que um dia acabam e feridas que aumentam muito mais

dor qual será seu verdadeiro nome? Eu me escondo e me detenho

dor que faz em pedaços a vida de um condenado mortal.

A mulher…

Você mulher que fiz do homem

um pedaço dele,um pedaço de sua carne

mulher que deve servir somente ao homem

mulher que nem mesmo deve honrar o sobrenome

Cuide de seu filho

Cuide da casa

Morra limpar a sujeira

Pois isso me agrada

Mulher sem palavra

cale-se e respeite

siga as ordens da casa

sofra sozinha sem nada

Mulher que sejas submissa ao homem

pois dele uma costela tirei para você criar

Criei-a para que pudesse ao lado do homem andar

Sem palavras e reclamações apenas para obedecer

Mulher que amaldiçoou o mundo

atiçada pela cobra e pela maça

agora todas vocês são impregnadas

Mulheres e suas desgraças.

Apodrecendo

Dor o morto não sente

Sangue em suas veias virá fumaça

Em seu sorriso só há desgraça

Unhas grandes de um relacho

Cabelos mortos despenteados

Feito pedra frio e gélido

Sonhos que acabam viram genéricos

Vermes são parasitas em seu corpo

Comendo sua carne sem purificação

Olhos que não vêem mais nada nem mesmo o caixão

Morando embaixo da terra virando pó está seu coração

E no escuro os sonhos sucumbem sua alma

Apodrecido e morto em sua própria desgraça.

Olhos cegos que estão agora pendurados no varal

lágrimas que escorrem desses olhos vazios sem nada ver

corpo que agora vaga por um mundo que é agora  vazio

o remédio que ele toma é veneno

a bebida que toma é acido

procurando seus olhos que estão no varal a secar

secando tudo o que um dia foi suas memórias

junto ao seu cadaver nada irá restar

nem lágrimas,nem memórias e nem caminhos

pois seus olhos agora são pedras desgastadas.

Olhe o que eu vejo

cabeças raspadas

uniformes listrados

alma marcada

No sangue da guerra

a bomba que jogam

matando a sí mesmos

como um banho que virá

só a morte a esperar

pois somos apenas lama

mas eu não porque enxergo

não vejo tudo mas o necessario

quando morrer verei o que é errado.

Ódio

Sinto algo se movendo dentro de mim

Algo que me faz sentir o gosto bom de sangue

Dor que eu sentia agora não passa de passatempo

O espelho mostra a imagem que não sou

Meus olhos parecem terem sidos arrancados

Pois tudo que enxergo são corpos mortos

A cada passo que dou eu caiu

Dentro de um mundo de faz de conta

Mas dentro de mim posso saber se é bom ou ruim

Quando se acostuma a não chorar

E ver os humanos algo que um dia voce foi

Você ignora sua própria tolerância

Que venha a dor e o ódio

Pois não odeio a dor

E a dor não faz eu odiar

O choro é apenas um lago

Onde os olhos tentam enxergar

Os sonhos que morreram com o tempo

Se afudaram ou se enterraram

Talvez eu fuja para não ser

Mas sou tão odiado como qualquer um

Olhe minha face

Sou tão nada quanto todos

Eu sou de carne osso

Por isso deixo o sangue escorrer.